quarta-feira, 21 de maio de 2008

Natascia - Italia


Continuando a minha série de entrevistas com as pessoas que conheci aqui, entrevisto uma Italiana.

Natascia Rohanechi nasceu em Cremona, norte da Itália. Ela tem 28 anos.
Quando morava na Italia, ela trabalhava como representante de vendas para duas empresas, a Mars e a Lindt. O trabalho dela era basicamente ir as redes de supermercado e lojas do ramo para tentar vender o produto e negociar uma melhor disposição dos mesmos nas prateleiras.
Ela adorava seu trabalho pelo fato de que ela tinha liberdade pra faze-lo da forma que fosse mais efetiva pra ela, além do que, era um trabalho que exigia muita responsabilidade dela, e ela realmente gosta disso.

Ela se formou em Administração com enfase em Marketing em Milão, aonde morou até 2 anos atrás. Lá ela morava com outras estudantes. De volta a sua cidade natal, Cremona, ela voltou a morar com seus pais até sua vinda para o Canadá.

Natascia resolveu sair da Itália pelos mesmos motivos que eu: Para enriquecer seu currículo e para melhorar seu inglês. Sua vinda para o Canadá foi meio que por intuição. Ela resolveu que tinha que pegar um pouco de experiencia fora de seu país, até porque assim como no Brasil, as empresas Italianas realmente apreciam quem tem experiencia em outro país, principalmente se for de língua inglesa.
Sua primeira opção era Irlanda, porém, quando foi a agência de turismo, o pessoal achou que ela tinha um currículo bom, e poderia ir para algum outro país para fazer um programa de internship (estágio, assim como o meu). O pessoal da agência deu três opções: Canadá, Austrália e Nova Zelândia.
Assim que observou as opções ela decidiu! CANADÁ!
Ela disse que teve uma boa intuição a respeito do Canadá quando viu o nome do país e pensou sobre a vida aqui. A decisão dela foi totalmente baseada em intuição (Natascia é MUITO intuitiva, acredita em destino e não gosta de planejar muito as coisas).

Quanto a sua estadia no Canadá, assim como a maioria dos europeus, os Italianos não precisam de um visto para ficar aqui, basta só apresentar o Passaporte quando chega no país. Eles podem ficar até 6 meses. Ela chegou no dia 10 de março e pode ficar até dia 8 de setembro. Se pudesse, ela ficaria mais, porém, a única chance será se ela conseguir um emprego com contrato assinado. Quando falamos em contrato assinado não é um emprego como caixa de McDonalds ou algo do genero, e sim, em algum escritório ou algo maior.
Ela realmente não quer voltar pra Italia depois desses seis meses e está pensando na possibilidade de ir para Austrália ou Nova Zelândia depois dos 6 meses aqui, pra continuar melhorando seu inglês e enriquecendo seu curriculo.

Coincidentemente, ela termina suas aulas no colégio no mesmo dia que eu, dia 30 de maio. Depois disso ela vai fazer um internship, assim como eu, numa empresa muito parecida com a minha. Ela vai trabalhar numa business-to-business company.


Quanto a vida no Canadá, a coisa que ela mais sente falta em Vancouver é o ar romantico da cidade. De acordo com ela, Vancouver é uma cidade muito moderna, com muitos prédios grandes e arquitetura moderna, parece um "plastic world". Na Itália, todas as ruas exalam história de acordo com ela. Todas as cidades tem construções antigas que mostram a história da localidade.
Outra coisa complicada é a comida. Vancouver segue muito do padrão americano de alimentação. Basicamente isso significa que tudo segue o "fast-food-style". O fato de ser Fast-food, tira um pouco do gosto caseiro da comida, muito típico na Itália.
Porém, uma coisa que ela gosta é que, ao contrário da Itália, tudo em Vancouver é muito organizado. Horários, lojas, ruas, tudo é organizado, muito diferente do "Italian way".

Uma grande dificuldade que ela está tendo é se adaptar ao sistema de transporte público. Apesar de ser muito eficiente e confortável, ela sente falta da liberdade que ter um carro lhe oferece. Mesmo tendo horários flexíveis, ela fica presa as possibilidades dos onibus e skytrain.

O que ela mais gosta em Vancouver é o ambiente. Vancouver tem um parque a cada esquina praticamente, e isso não é muito comum na Itália. O contato direto com a natureza, apesar do muito concreto existente em Vancouver, fascina Natascia. O cuidado que as pessoas tem com os animais aqui também a deixa muito feliz. Na Itália, de acordo com ela, é muito comum ver animais abandonados nas ruas, coisa que aqui em Vancouver você não ve.


Minhas considerações a respeito de Natascia


Natascia é uma típica italiana. A primeira vista voce sente o ar europeu nela com a pitada da agressividade italiana.
Depois que você conhece ela, voce REALMENTE percebe que ela é italiana. Muito "Talkative", faz muitos gestos, muito extrovertida e consegue se relacionar com todo mundo.
Chamada de "Big Foot" por mim (pois tem um pé gigante), Natascia é uma pessoa muito facil de se conviver. Está sempre alegre e tem uma mistura de inocencia com maturidade que faz com que seja muito interessante gastar um bom tempo com ela (sem duplos sentidos, por favor).
O interessante dela é que ela consegue transformar totalmente uma situação. Tem um senso de humor incrível, e mesmo quando não quer, é engraçada.
Outro dia estavamos na fila do onibus, esperando pra deixar a praia em direção ao centro, e um de nossos colegas, o mexicano Rafael, ligou para sua familia canadense. A mãe canadense dele é decendente de italianos e pediu pra falar com Natascia. A coisa engraçada é que ela nao conseguia mais falar apenas italiano, misturava o tempo todo com o inglês (si si, becouse...).
Diferente da maioria dos estudantes da nossa escola, não existem NENHUM ser vivo que fale a língua dela na escola ou em sua vizinhança, sendo assim, Natascia SÓ fala inglês desde que chegou. Eu por exemplo, acabo falando portugues com alguns Brasileiros, ou até mesmo com meus vizinhos Paraguaios.

Enfim, essa é Natascia!!!


DA SESSÃO "COISAS ESTRANHAS SOBRE VANCOUVER"

HOMELESS!!!
Homeless são os sem teto daqui de Vancouver. E são MUUUITOS. Estima-se que sejam mais de 2500, numa população de 2 milhoes e meio de habitantes. Eles se concentram nas ruas do centro da cidade, onde ficam pedido dinheiro pra todo mundo, ou na Hasting Street, a rua onde você consegue comprar drogas, achar prostitutas e coisas do gênero.

A coisa interessante sobre eles é que eles são MUUUUITO diferente dos pedintes Brasileiros.
A maioria deles não é pobre, é LOUCO mesmo.
Ser pedinte em Vancouver é MUITO lucrativo. Alguns deles fazem até 100o dollares por mês, fazendo com que isso seja encarado como profissão.

O estranho é que muitos deles usam roupas melhores que as minhas!!!! sobretudos sofisticados, que ajudam a mante-los aquecidos no frio das ruas de Downtown Vancouver.
Eles fazem cartazes pra pedir dinheiro, muitas vezes, muito criativos.
É comum também ve-los lendo. SIM! são pedintes cultos! Já vi até homeless com IPOD!!!

Outra coisa é que eles são, digamos assim, educados.
No Brasil, se um pedinte te aborda na rua, as vezes ele é rude, te xinga se você não da nada, ou te segue.
Aqui, eles pedem de forma educada, tentando te agradar, e se você não responde, eles simplesmente agradecem ou não falam nada.
Pedintes do 1º mundo!



bom, por hoje é isso!

Bom feriado pra vocês ai no Brasil!

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